sexta-feira, outubro 26

Quando escola e empresa são sinônimos

Atualmente, trabalho numa escola particular que adota, como base, o modelo tradicional. Alunos e pais são clientes e a comunidade é uma vitrine, ao invés de serem seres sociais e históricos ativos, imersos no processo de ensino e aprendizagem. Para muitos profissionais, esse tipo de escola é um Paraíso. Para mim, nem tanto...

Há poucas escolas na cidade de BH que ousam seguir pedagogias alternativas, como a Pedagogia Freinet, Pedagogia Waldorf, a linha escolanovista, etc. E as que tem, como pude perceber, não possuem vaga pois trata-se de escolas que criam mecanismos internos com a finalidade de aperfeiçoar a prática e estimular a reflexão docentes. Estas são o meu Paraíso, mas muito distantes de mim. Também ficariam satisfeito numa escola pública, pois teria pelo menos a certeza de que eu teria mais liberdade em adotar a prática a qual considero mais adequada para estimular, no aluno, sua autonomia, criatividade, responsabilidade, sensibilidade e liberdade. 

Mas em escolas particulares modelo tradicional, além de não ser possível, impera a imagem de empresa. Digo empresa no sentido da lógica capitalista e não como entidade formal. Isto gera em mim um grande choque, já que sou adepto de uma miscelânia de pedagogias, dentre elas a pedagogia da autonomia (se me permitem a nomenclatura), desenvolvida por Paulo Freire. Freire faz críticas contundentes à educação bancária, de lógica mercadológica, em que o conhecimento seria não somente unívoco, mas também um elemento de discriminação social e cultural. 

Nessas instituições, professores e alunos não são estimulados, senão cobrados por apresentarem resultados considerados "de sucesso" pela elite. Tudo em nome da manutenção da ordem do sistema vigente.