Numa sociedade, como a nossa, de tradição cristã, o corpo é deveras desprezado, tido como sujo. Atender aos desejos do corpo é impuro. Maior pecado ainda se sentir prazer. É certo que crianças vítimas desta visão obsoleta tornem-se adultos ansiosamente censuradores e inseguros. Eles contaminarão seus filhos quando forem pais e o processo tende a tomar continuidade com os netos.
Não há que se ter censura se queremos educar uma criança de maneira saudável. Uma criança, naturalmente, possui curiosidades sobre o sexo e há que se esclarecer estas dúvidas, sem muitas delongas e com objetividade. Demonstrar à criança que o corpo é belo e não sujo. Não significa, porém, que uma criança de 10 anos deva ser expert em posições sexuais, também não é por esse lado. Mas tratar do corpo da maneira sensata: com naturalidade. Meninos e meninas não devem crescer com a ideia de que é errado que cada um forneça prazer a si mesmo. Isso é algo absurdo! Se temos mãos e órgãos genitais, por que não tocá-los, por que não explorá-los e conhecê-los? Se é pecado, por que diabos nascemos com eles? A religião, sobretudo a religião cristã, tende a menosprezar o que é natural e isto é prejudicial a qualquer pessoa.
Recentemente há um movimento cristão, comum a evangélicos e católicos, denominado Eu resolvi esperar, sobre abstinência sexual até depois do casamento. Jovens que relatam, muitas vezes orgulhosos, de que conseguiram vencer a tentação e se guardaram para o grande momento. Agora, para quê, isso? Que finalidade pode ter uma coisa absurda dessas? Se a pessoa possui uma idade em que ela se considera psicologicamente capaz de fazer sexo e tem vontade, por que não fazer? Cada momento de intimidade é importante para que nos conheçamos melhor. E imaginem tal situação: a mulher se "guarda" para o grande momento e se depara com a contradição entre a realidade e a expectativa, pois todas as mulheres sentem mais incômodo que prazer na primeira vez - talvez a maioria sinta apenas incômodo. E aí, como será depois? Aquele momento em que a mulher esperava por ser mágico, foi na verdade da maneira que tinha que ser, da maneira que a natureza do corpo dita e não da maneira que a mente imagina.
Para o homem é bem menos uma desilusão que para as mulheres. Mas ficar meses sem se masturbar e achar que cometeu uma impureza ao não resistir a tentação é uma loucura! O corpo não deve ser desprezado, ele deve ser conhecido intimamente pelo seu dono, ou sua dona.



