domingo, fevereiro 19

Um pouco de minha rasa experiência...

A experiência até hoje  mais consolidada que tenho com na área da educação é a escola integrada. O período de estágio durou de junho de 2010 a dezembro de 2011, devido ao meu desligamento da universidade. A escola localiza-se na Zona Norte de Belo Horizonte, num bairro de pessoas humildes. Para quem não sabe, a escola integrada é um projeto paralela instituído pela Prefeitura na gestão de Fernando Pimentel (2003-2007) e conta com pessoas de variadas áreas e habilidades. O problema, porém, e aí começo a tecer minha principal crítica à política pública, é que uma habilidade é o suficiente para que a pessoa trabalhe na escola; se ela for moradora do bairro, então, melhor ainda! Nos dias de reunião parecia mais um encontro entre vizinhos fofoqueiros do que profissionais da educação engajados. Exatamente, não há entrevistas, não há nenhum tipo de teste de atuação. Não digo, porém, que seja assim em todas as escolas integradas, mas com certeza em muitas ainda existe esta displicência. 

A falta de empenho na eleição dos monitores - ou seja, os agentes educativos - consequentemente causava muita insatisfação nas crianças, que rotineiramente se deparavam com situações desagradáveis de pessoas autoritárias e despreparadas em lidar com crianças. É bom deixar claro que o fato de uma mulher ser mãe, por exemplo, não a torna apta a lidar com crianças. A maternidade, em si, não demonstra competência e sensibilidade suficientes para a prática pedagógica. Demasiadamente as crianças reclamavam da falta de respeito que alguns monitores as tratavam. Algumas vezes eu mesmo cheguei a tratar uma criança com desrespeito, principalmente por estar de cabeça com quente em relação aos problemas da integrada que não eram resolvidos por falta de empenho e interesse da maior parte da equipe de trabalho. Contudo, uma criança jamais deve pagar pelos problemas dos adultos, e tenho alegria em dizer que tive a humildade em me desculpar com estas crianças. Na maioria das vezes, eu me desculpava algumas horas depois; uma vez apenas, eu me desculpei no dia seguinte e, também uma vez, deixei de me desculpar. Ainda hoje eu sinto por não ter me desculpado com aquele garoto pela minha mal criação. 

De fato eu tentei ao máximo aperfeiçoar minha prática docente e torná-la cada vez mais coerente com o meu discurso progressista. Porém, ao tratar de escola integrada, deve-se levar em consideração a falta de estrutura física (as oficinas, ou seja, as atividades realizadas pelos monitores, eram desenvolvidas em outros locais que não a escola, pela insuficiência do espaço. Usávamos uma casa apertada e uma igreja evangélica monótona), de pessoas preparadas (de um corpo de 10 monitores, apenas 3 eram estudantes universitários ligados à educação; os demais 7 possuíam experiências com a maternidade ou paternidade, ou sabiam pintar sobre tecidos, jogar capoeira, etc.) e das constantes faltas de alguns monitores, as turmas pareciam verdadeiros batalhões, com toda a sua energia jovial inesgotável diante de estagiários estressados com as falcatruas do sistema público de ensino e os apertos da faculdade. É triste dizer, mas a escola integrada é uma prova de fogo na rede municipal de BH, quando deveria ser a experiência de ouro de futuros professores e pedagogos.

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