sexta-feira, julho 13

Muitos de nós são como formigas infectadas

Todos já devem ter visto uma formiga subindo numa lâmina de capim. A formiga sobe até o topo e cai. Ao cair, sobe novamente e cai outra vez e assim vai procedendo. Acontece que a formiga foi infectada por um parasita, o Dicrocoelium dentriticum. De fato, a formiga não ganha absolutamente nada com isso. E quantos de nós, humanos, somos parecidos com uma formiga infectada por este parasita? Quantos de nós, em pelo menos algum momento de nossas vidas, não passamos por situações similares? 

Um exemplo muito parecido com o subir-cair-subir-cair das formigas infectadas é a barra de rolamento de redes sociais, mas principalmente o facebook. Não, eu não tenho nada contra o facebook e nem nada contra quem tem ou que fica online na rede todos os dias por semana. Só quero constatar que ninguém ganha nada ao passar horas do dia desperdiçando tempo compartilhando posts repetidos ou curtindo posts de rostinhos de animais ou bebês exaltando a chegada da sexta-feira. Bem, e o que isso poderia ter a ver com a educação, um dos temas centrais propostos por este blog? O fato de que uma educação voltada para a autonomia reveste o sujeito de senso crítico e autocrítico. O que quero dizer com isso é que todo mundo é livre de escolher como gastar seu tempo livre da maneira que quiser; mas aí que está a palavra-chave da questão: escolha e não indução. Posso passar por papel de conspirador diante do olhar de muitos, mas acredito firmemente que o facebook se utiliza de artimanhas capazes de atingir o subconsciente dos usuários, uns mais, outros menos, mas todos são - de uma maneira ou de outra - "infectados" por estes recursos. 

Seja a utilização da cor azul ou qualquer outra coisa, acho realmente que há alguma coisa além dos impulsos elétricos da tela dos computadores em que o facebook é acessado. Mas estando eu errado ou não, o fato é que a rede social causa dependência, assim como os modernos aparelhos como iphone, ipad, etc. Porém estes aparelhos não são mais utilizados para ler e-books do que para acessar as redes sociais. E por falar em leitura, poucos são os jovens hoje que dedicam seu tempo livre, ou pelo menos parte dele, a um bom livro. Sinceramente eu acho muito preocupante que seja mais relevado atividades de pouco teor intelectual. O problema ainda se agrava, a meu ver, quando a escola (geralmente de caráter tradicional) incorpora a leitura como meio de barganha de pontuação, explicitando ainda mais o caráter bancário que a educação vem assumindo nestes últimos séculos, ao invés de trabalhar a leitura como prática saudável de prazer e entretenimento. O simples ato de folhear um bom livro é, em si, superior ao acionar para cima e para baixo a barra de rolamento de redes sociais.

quarta-feira, julho 11

A crise da educação é a crise da sociedade

Uma das associações interessantes que percebi no período da faculdade de pedagogia com o auxílio de autores, professores e colegas é que não há distinção ou deligamento da crise da sociedade com a crise da educação. E por que não? 

Bem, primeiramente penso que é pela educação que perpassa o cerne da organização social. E consequentemente, é na sociedade que se pode ver o reflexo da educação. Hoje, no Brasil, assim como em todas as partes do Globo, predomina a educação que estimula a competição doentia e que cultua o descartável, o momentâneo e o virtual. Coloca-se em pauta maior o ter ao invés do ser, o "ficar" ao invés de um relacionamento comprometido. 

No âmbito da educação, podemos traduzir isto como a existência dos vestibulares: os planos educacionais das instituições são planejados de acordo com o que é cobrado no vestibular, e não com base no que é essencial para o desenvolvimento da autonomia do sujeito no seu convívio harmonioso com a natureza. 

Os assédios publicitários carregados de machismo e discriminação racial e social (talvez até religiosa) são levados com muita seriedade por boa parte da sociedade, de tal modo que os anúncios de uma propaganda podem ser impregnados na linguagem coloquial do cotidiano. Programas de tv travestidos de humor, mas que, na verdade utilizam o espaço midiático para impor valores não essenciais à felicidade humana, são aclamados por uma imensa plateia que cada vez mais está massificada. Não é raro que haja pessoas que, em contrapartida, sintam-se descaracterizadas pela tendência "igualicionista" imposta pela grande mídia. 

Na escola é muito comum que os alunos sejam tratados como sendo um únicos nas questões mais pluralmente peculiares ao ser humano, como a questão cultural, por exemplo. Os professores também são vistos destas maneiras pelos próprios alunos, pelos pais dos mesmos e, em muitos casos, até mesmo pela direção e coordenação. Espera-se sempre a mesma reação, as mesmas conversas e os mesmos métodos. A sociedade atual em que vivemos é tida como plural, mas contraditoriamente, a pluralidade das pessoas encontra barreiras para se manifestar.