Todos já devem ter visto uma formiga subindo numa lâmina de capim. A formiga sobe até o topo e cai. Ao cair, sobe novamente e cai outra vez e assim vai procedendo. Acontece que a formiga foi infectada por um parasita, o Dicrocoelium dentriticum. De fato, a formiga não ganha absolutamente nada com isso. E quantos de nós, humanos, somos parecidos com uma formiga infectada por este parasita? Quantos de nós, em pelo menos algum momento de nossas vidas, não passamos por situações similares?
Um exemplo muito parecido com o subir-cair-subir-cair das formigas infectadas é a barra de rolamento de redes sociais, mas principalmente o facebook. Não, eu não tenho nada contra o facebook e nem nada contra quem tem ou que fica online na rede todos os dias por semana. Só quero constatar que ninguém ganha nada ao passar horas do dia desperdiçando tempo compartilhando posts repetidos ou curtindo posts de rostinhos de animais ou bebês exaltando a chegada da sexta-feira. Bem, e o que isso poderia ter a ver com a educação, um dos temas centrais propostos por este blog? O fato de que uma educação voltada para a autonomia reveste o sujeito de senso crítico e autocrítico. O que quero dizer com isso é que todo mundo é livre de escolher como gastar seu tempo livre da maneira que quiser; mas aí que está a palavra-chave da questão: escolha e não indução. Posso passar por papel de conspirador diante do olhar de muitos, mas acredito firmemente que o facebook se utiliza de artimanhas capazes de atingir o subconsciente dos usuários, uns mais, outros menos, mas todos são - de uma maneira ou de outra - "infectados" por estes recursos.
Seja a utilização da cor azul ou qualquer outra coisa, acho realmente que há alguma coisa além dos impulsos elétricos da tela dos computadores em que o facebook é acessado. Mas estando eu errado ou não, o fato é que a rede social causa dependência, assim como os modernos aparelhos como iphone, ipad, etc. Porém estes aparelhos não são mais utilizados para ler e-books do que para acessar as redes sociais. E por falar em leitura, poucos são os jovens hoje que dedicam seu tempo livre, ou pelo menos parte dele, a um bom livro. Sinceramente eu acho muito preocupante que seja mais relevado atividades de pouco teor intelectual. O problema ainda se agrava, a meu ver, quando a escola (geralmente de caráter tradicional) incorpora a leitura como meio de barganha de pontuação, explicitando ainda mais o caráter bancário que a educação vem assumindo nestes últimos séculos, ao invés de trabalhar a leitura como prática saudável de prazer e entretenimento. O simples ato de folhear um bom livro é, em si, superior ao acionar para cima e para baixo a barra de rolamento de redes sociais.