Uma das associações interessantes que percebi no período da faculdade de pedagogia com o auxílio de autores, professores e colegas é que não há distinção ou deligamento da crise da sociedade com a crise da educação. E por que não?
Bem, primeiramente penso que é pela educação que perpassa o cerne da organização social. E consequentemente, é na sociedade que se pode ver o reflexo da educação. Hoje, no Brasil, assim como em todas as partes do Globo, predomina a educação que estimula a competição doentia e que cultua o descartável, o momentâneo e o virtual. Coloca-se em pauta maior o ter ao invés do ser, o "ficar" ao invés de um relacionamento comprometido.
No âmbito da educação, podemos traduzir isto como a existência dos vestibulares: os planos educacionais das instituições são planejados de acordo com o que é cobrado no vestibular, e não com base no que é essencial para o desenvolvimento da autonomia do sujeito no seu convívio harmonioso com a natureza.
Os assédios publicitários carregados de machismo e discriminação racial e social (talvez até religiosa) são levados com muita seriedade por boa parte da sociedade, de tal modo que os anúncios de uma propaganda podem ser impregnados na linguagem coloquial do cotidiano. Programas de tv travestidos de humor, mas que, na verdade utilizam o espaço midiático para impor valores não essenciais à felicidade humana, são aclamados por uma imensa plateia que cada vez mais está massificada. Não é raro que haja pessoas que, em contrapartida, sintam-se descaracterizadas pela tendência "igualicionista" imposta pela grande mídia.
Na escola é muito comum que os alunos sejam tratados como sendo um únicos nas questões mais pluralmente peculiares ao ser humano, como a questão cultural, por exemplo. Os professores também são vistos destas maneiras pelos próprios alunos, pelos pais dos mesmos e, em muitos casos, até mesmo pela direção e coordenação. Espera-se sempre a mesma reação, as mesmas conversas e os mesmos métodos. A sociedade atual em que vivemos é tida como plural, mas contraditoriamente, a pluralidade das pessoas encontra barreiras para se manifestar.
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